segunda-feira, 14 de maio de 2012

To be or not to be? Not.. to be!


"Last action hero", de John McTiernan

Showdown: Tim Burton- parte 1



"Showdown" é uma rubrica cujo objectivo será sempre analisar o trabalho de um artista ligado ao cinema a partir do meu gosto pessoal, sendo por isso subjectivo. Por isso, não levem a coisa demasiado a sério!

Percebo que o primeiro visado desta rubrica me fará ganhar vários comentários de desdém, porque é uma figura adorada em todos os quadrantes das minhas amizades. Ouvi já vários meninos e meninas, com a mania de que de tudo o que vem da América é mau, fazerem a ressalva de que só ele é a única coisa que se safa na mediocridade norte-americana. "Ele" é Tim Burton; e visto que estreou esta semana o seu novo "Dark shadows", a altura é excelente para saber se o realizador de cabelo desgrenhado é assim tão infalível quanto alguns o pintam.
Na primeira parte deste artigo, colocarei num top meramente de gosto pessoal (nunca é demais reforçar isto) os filmes realizados por Tim Burton, do pior para o melhor. Um apontamento: "Nightmare before Christmas" não conta para esta contagem, pois NÃO foi realizado por Burton. Sim, todo ele é a visão do gótico norte-americano, mas o homem atrás da câmara dá pelo nome de Henry Selick.



15 - "Alice in the wonderland"

Tenho um enorme respeito pelo trabalho de Tim Burton. Ele consegue ser, em simultâneo, um excelente poeta visual e também alguém com uma sensibilidade para criar fábulas consistentes e muitas vezes emocionantes. Associá-lo ao mundo de Lewis Carrol parece apenas ser natural. É por isso que se torna uma enorme desilusão ver o resultado final deste filme, uma mistura incoerente dos maus tiques de Burton com as necessidades de um filme de estúdio que necessita de determinados momentos (nomeadamente a nível da acção) que se tornam absolutamente dispensáveis. O argumento tenta focar a história no crescimento pessoal de Alice (e Mia Wasikowska agarra bem o papel), mas perde-se em conspirações nos corredores reais e bizarrias que são apenas isso. Nem Johnny Depp se salva e salvo um ou outro bom momento de delírio visual, este é, e a boas milhas, a pior obra de Burton: pleno de visuais, zero de consistência dramática.



14 - "Planet of the apes"

Não se pode dizer, como muitos fãs argumentam para desculpar o falhanço, que esta obra não tem nada de Tim Burton. Ela tem tudo: um outsider num mundo que o persegue; monstros humanizados; romances proibidos entre freaks; e no entanto, é uma obra confusa, com um fraco protagonista e trocando o que poderia ser um excelente ponto de partida para questões existenciais (coisa que o futuro "Rise of the planet of the apes" faz bem) num desfile para as criações, embora magníficas, de Rick Baker. É visualmente excelente, mas não está sequer interessado em abordar óbvios pontos de vista políticos e sociais, entretendo-se mais em distinguir tipos de macacos. Bons actores cruzam-se com maus, e o argumento não dá a ninguém grande coisa que fazer. É um filme com muito bom aspecto, mas burro, que é coisa que Tim Burton não é. E o que é aquele final?



13 - "Pee-wee's big adventure"

Começamos a entrar num campo que me dói, porque ao contrário dos dois filmes anteriores, "Pee Wee's big adventure" não é um mau filme. Aliás, é uma história deliciosamente surreal e demente, criando as bases do estilo que todos viriam a relacionar com Tim Burton. O ponto de partida é o rouba da bicicleta de Pee-Wee, um personagem meio infantil e quase saído directamente de uma BD; um adulto/criança que veste um fato com laço vermelho, e é um optimista incurável. É um filme divertido e estranho, mas não me deixou uma impressão mais duradoura do que essa.



12 - "Beetlejuice" - "Beetlejuice" é um filme altamente divertido e tem um dos melhores personagens da galeria de Tim Burton. Michael Keaton tem provavelmente o melhor papel que já lhe deram e injecta tanta diversão e criatividade naquele personagem que é difícil lembrarmo-nos que este só aparece em vinte e pouco minutos do filme. No entanto, quando aparece, deixa a sua marca de tal maneira que eleva a obra a outro nível. "Beetlejuice" tem outros excelentes actores (Alec Bladwin, Geen Davis, Winona Ryder) e uma história curiosa, em que dois fantasmas têm de aprender a assombrar a sua anterior casa para se verem livres dos donos, No entanto, fica-se sempre com a sensação de que até Beetlejuice entrar em modo de domínio completo, e a verdadeira loucura começar, a obra coxeia um pouco até ao grande salto final.







domingo, 13 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Aberturas




A arte da abertura de um filme através de um genérico que nos lance imediatamente na atmosfera e história do mesmo parece ter-se perdido. No entanto, ainda é possível encontrar excelentes exemplos no cinema recente.

"The fall", obra desigual, mas fascinante, de Tarsem tem uma pérola na sua abertura que, sozinha, é superior em arte a muitas longas-metragens. O realizador indiano não prima por ser um dramaturgo, ou daràs personagens e à história a atenção que merecem; no entanto, poucos artífices têm actualmente o mesmo poder destruidor da sua imaginação visual.
"The fall" adequa-se perfeitamente aos seus talentos. É contado em tom de fábula, por um adulto a uma criança; e a backstory do adulto fica estabelecida neste genérico.

O que fascina não é o desenrolar dessa mesma backstory, mas sim a elegância clássica do slow-motion, a captação de micro-expressões escondidas e um renovar de uma das peças de músicas mais usadas em cinema, o movimento Alegretto da 7º sinfonia de Beethoven. Cada cut é uma dissolução entre o real e o irreal, e cada fotograma uma pintura à espera de ser colocada numa parede. O uso do preto e branco é não só adequado à época em que o filme se desenrola, e o próprio meio, mas é uma opção estilística que se deve talvez à própria noção de fantasia e diferença que o contraste com um mundo actual cheio de cor provoca. O preto e branco é a ruptura, e afinal, a reflexão da mente do protagonista.

É um magnífico genérico, e quase uma curta-metragem à parte do resto da fita. Um arremedo de sonho, onde as coisas parecem animais e os animais coisas. Um terreno de fábula, portanto. Mas também de terror, de um certo de surrelismo, onde pedaços do quotidiano tomam o aspecto de criaturas grotescas. Como Tarsem bem definiu, é um caos sem energia.

Andy Dufresne, who crawled through a river of shit and came out clean in the other side


"The shawshank redemption", de Frank Darabont

segunda-feira, 7 de maio de 2012

My name is Kobayashi. I work for Keyser Soze.


"The usual suspects", de Bryan Singer

"Só esteve uma semana em exibição": "The mothman prophecies"



Nesta rubrica semanal, pretendo dar a conhecer alguns filmes que não tiveram a divulgação merecida, mesmo tendo interesse para quem gosta de bom cinema. Calculo que essa também seja uma das razões que levam as pessoas a comprar aqui bilhete.

Desde o final da década de 60 que estava deitadinha, à espera que alguma luminária do cinema lhe pegasse, uma história real onde a linha da própria realidade e da ficção é um pormenor da maior importância: o conjunto de fenómenos que se sucederam entre 1966 e 1967, em Point Pleasant, na Virgínia Ocidental. A responsabilidade foi atribuída a uma entidade vaga, com forma definida, mas intenções e ligações estranhas a todos os eventos, chamada Mothman, pegando numa personagem da série televisiva "Batman", que passava na altura na televisão. O caso foi descrito pelo jornalista John Keel, na excelente e bizarra obra "The mothman prophecies". Envolve a criatura, OVNI, homens de negro, poltergeist, fenómenos psíquicos e profecias; e depois de tudo apresentado, avança para um nível de bizarria para a qual não se está preparado. É um livro de não-ficção, mas os factos parecem ficcionados. As páginas são permeadas por uma névoa de estranheza que não nos envolve: come-nos vivos e cospe-nos. Conheço gente de muito boa cepa que nunca mais conseguiu reler "The mothman prophecies", e eu, que o leio todos os anos, devia parar. Porque cada leitura mais me empurra para a loucura de questionar tudo o que sei e tudo o que vivo

Transferir isto para um filme parece fácil, mas não é. Seguir o caminho do horror tradicional e fazer da história um arremedo de susto seria a táctica comum. Felizmente para nós, e infelizmente para as bilheteiras, as imagens são uma tentativa não de traduzir o livro, mas precisamente essa aparência de acontecimento que dele emana. Ainda assim, a fita, em termos de conteúdo, não faz justiça ao imenso planalto de biasma que é o livro. Mas isso seria impossível de conseguir numa longa-metragem. Uma série de televisão era o mais adequado.  Ainda assim, a imagem é como fumo que se entranha.



O livro não tem história, e o filme precisa de criar uma: John Klein (Richard Gere, num trocadilho com o nome do autor do livro) é um respeitado comentador político do Washington Post, que no auge da sua felicidade com conjugal, vê a mulher morrer num acidente de automóvel, não sem antes esta desenhar interminavelmente em folhas a mesma sombria criatura. Desolado pelo acontecimento, Klein é um homem à deriva e numa noite em que viaja de carro, dá por si a fazer 1600 quilómetros em três horas, parando em Point Pleasant, Virginia, onde vai bater à porta de um homem que lhe diz que ele esteve ali nas duas noites anteriores, à mesma hora. Isto é apenas o princípio de uma história que o junta a Connie Mills (Laura Linney), a xerife local.

Menos um filme de terror do que um exercício de controlo e programação mental, "The mothman prophecies" tem o visual de um filme experimental, com alguns efeitos de baixo orçamento e aquela noção de que uma banda sonora penetrante e saber jogar com a luz e a sombra são truques básicos para nos convencer de que estamos a ver mais do que realmente vemos. Mark Pellington realizara já videoclips e é o autor do estilizado genérico de "Homicide: Life on the street". Para além disso, com o seu "Arlington road", obra inicial da sua carreira, soubera que a paranóia é uma excelente matéria cinematográfica.
Pellington não cai na tentação de fazer uma adaptação literal, mas sim de nos provocar os mesmmos arrepios, sentimentos e desconfianças que Keel descreve no livro; e consegue-o. Uma sequência em particular, em que Klein fala ao telefone com uma omnisciente entidade que dá pelo nome de Indrid Cold é particularmente enervante e assustadora. Destaque para a dupla de actores (Richard Gere sorumbático, embora com os tiques de costume; e Laura Linney como uma mulher dura, mas o esplendor luzidio num lago de negrume), a banda sonora de Tomandandy (ou a tradução para som dos arrepios da pele) e fica o repto para que leiam mais sobre este estranho caso; e, já agora, que descubram este filme.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

There's a whole ocean of oil under our feet! No one can get at it except for me!


"There will be blood", de Paul Thomas Anderson

Scene it: "Close encounters of the third kind"


(Parecem haver algumas dificuldades para fazer o embed da cena... No entretanto, fica o link para a mesma)

http://www.youtube.com/watch?v=mXiCKn1HCR4


Semanalmente, irei analisar nesta rubrica uma cena de um qualquer filme, independentemente do género, mas que me pareça interessante o suficiente para lhe dedicar uma dúzia de linhas

O primeiro pedaço fílmico a analisar demorou alguns minutos a decidir. Queria escolher algo que fosse do meu inteiro gosto, mas também que não aparecesse martelado em tudo quanto são rubricas do género. Foi então que me lembrei do objecto de génio que é "Close encounters of the third kind", um dos melhores filmes de Steven Spielberg. Por entre os seus momentos de maior fama (desde o final apoteótico de cor e feel good extraterrestre até ao puré de batata feito plasticina nas mãos de Richard Dreyfuss), um houve que sempre me marcou ela sua simplicidade e realismo, mesmo no meio de um filme de ficção científica que fala de temas que se prestam pouco a termos os pés no chão. Falo da cena do aeroporto, no inicio da obra.
Não é apenas por ser realmente bom que escolhi este momento. Desde criança que me interesso pelo fenómeno OVNI, como estudo, e "Close encounters..." apela directamente a este meu lado. Reconheço o desenrolar da cena de diversos livros que li (mormente "The Hynek report", onde o caso que serve de decalque está descrito), e existe uma emoção extra quando lhe assisto. O cinema tem esse poder, de cruzar as nossas emoções e o filme numa teia que reforça o poder de uma sobre a outra.

No entanto, o que esta cena tem de bom não é apenas a emoção particular que me causa. Contextualizando, ela surge num momento em que, através de vinhetas que cruzam a vida de vários personagens, uma série de fenómenos de raiz ovnilógica atinge os Estados Unidos da América. Mesmo sem ainda termos visto qualquer objecto, sentimos que algo de estranho se passa, e somos, de súbito, transportados para a torre de controlo de um aeroporto, onde um controlador conversa normalmente com um piloto. De súbito, o diálogo entre ambos dá uma guinada para o fora do comum, e uma sensação de tensão surge naturalmente, começando a envolver todo os que estão naquela tore.

A forma como Spielberg conduz toda a acção é incrivelmente contida. No filme conhecido pelas suas explosões visuais e imagens maiores do que a imaginação parece permitir, o realizador permite que um evento excitante e de grande pedalada se dê a conhecer pura e simplesmente pela voz e expressão de actores. Hoje em dia, veríamos a acção à vez entre a torre de controlo e os aviões. Aqui, é precisamente por não ver nada que o espectador fica como qualquer um dos personagens no espaço de cena: agarrado ao ecrã, vendo bolas brilhantes, sobressaltando-se à medida que o tom de voz dos pilotos dos aviões larga o confronto monocórdico e assume o medo que os possui quando, de súbito, um deles se vê confrontado com uma carga frontal de um OVNI, ou seja, um encontro com um desconhecido, uma viagem a uma dimensão paralela. Mas tudo isto, na realidade e banalidade de uma sala com cores neutras, tecnologia sem vida. O elemento de vida da cena, como o deve ser em todos os grandes filmes, é a emoção humana; e por isso ficamos ligados ao relato que nos é contado.

Todo este drama é contado com uma economia de planos (20 e poucos planos, em 3 minutos e meio) e ficam desde logo estabelecidas várias das ideias principais do filme: o medo do ridículo que as testemunhas de OVNI têm; o fascínio que os mesmos objectos exercem sobre nós; a confusão causada quando estes atravessam a nossa vida real sem avisar. Tudo isso em três minutos e meio, com diálogo maioritariamente técnico e sem grandes truques de realização e floreado visual. Apenas um homem, sentado num cadeira, olhando um ecrã e comunicando com vozes. Quando se diz que Spielberg é incapaz de lidar com o muito pequeno, lembro-me sempre desta cena, do seu minimalismo e, no entanto, do poder que exerce sobre o espectador, representando bem o cinema como a arte narrativa moderna por excelência.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

We are supposed to be righteous. That's a beautiful thing



 ...And we're losing it. If I lose that, that's everything. That's my soul. 


"Munich", de Steven Spielberg

terça-feira, 1 de maio de 2012

What happens to the Good and Evil on Judgment day?


That's obvious. The Good go to hell and the Evil to heaven. Is that right? 

"Bad ma ra khahad bord" (O vento levar-nos-á), de Abbas Kiarostami